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25 de mar de 2010

Rápida Contusão

Olá, corredores!
Vim contar que estou dodói... Bem, na verdade agora bem melhor, até porque já faz uma semana, mas na última sexta levei um tombo enquanto corria. O tênis cheio de barro pelo percurso cheio de obras escorregou quando fui subir um degrauzinho na calçada. O pé esquerdo avançou e bati com o joelho direito no chão. Ralei feio, rasgou minha legging, saiu muito sangue, mas isso só percebi minutos depois quando fui olhar. Foi logo no começo do percurso, mas continuei a corrida até o final. Difícil foi dormir nos dois dias seguintes... Cheguei a ter que tomar um analgésico para passar a dor. Mas agora a casquinha grossa já está formada, tudo em processo de cicatrização. Deixei de fazer apenas um treino, e amanhã é dia!
Também conto que mandei arrumar minha esteira, que estava quebrada há mais de ano. Quero utilizá-la pra fazer meus treinos de tiro, além de treinos rápidos nos dias em que trabalho à noite e não consigo sair pra rua. Ao menos uma vez por semana a esteira será meu terreno. 
Hoje vi que na semana seguinte à Maratona do Rio de Janeiro (prova em que pretendo estrear na meia) acontecerão as 10 milhas Mizuno. Quem sabe eu não dou uma esticadinha na minha permanência em SP para participar desta também?
Continuem correndo! 

2 de mar de 2010

São Silvestre 2009

Já faz mais de 2 meses, mas parece que foi ontem. Somente agora venho colocar aqui o meu relado da São Silvestre, a minha primeira.

"Cheguei de ônibus, pouco antes das 2 e meia da tarde. A Paulista totalmente vazia, já interditada, convidava os pedestres a passearem pelo meio da rua. Vi pessoas chamando outras para o asfalto, vi patinadores, gente passeando com os cachorros. Pessoas do staff correndo pra lá e pra cá. O farol de pedestres da Rua Augusta fechou. Que nada, a Paulista era minha! Eu era a estrela naquele dia! Caminhei pela pista como se caminhasse pela sossegada areia da praia.
Passei por baixo do gigantesco palco montado para a festa da Virada, tirei fotos e percebi que ainda faltava muito tempo, pois ainda havia preparativos e montagens. Mas os corredores já pululavam pelos arredores, com suas camisetas regatas, shorts e números presos no peito. Caminhei até o Prédio da Gazeta, local da chegada, deslumbrada com as figuras que encontrei pelo caminho. Uma festa total. Tinha homem de noiva, Carmem Miranda, Pelé e Ronaldinho Gaúcho. Tinha Flintstone, Elvis Presley com um gigante topete de espuma que mais parecia um sapato holandês. Muitos Michael Jacksons, Papais Noéis e repórteres caçando as criaturas para entrevistar. Vi os cadeirantes largarem, entre eles um ex-Big Brother que teve que mudar sua vida em função de um acidente. A muvuca do pelotão geral já estava formada, com suas faixas e cartazes, numa aglomeração pelos primeiros postos da largada. Fiquei por ali passeando, vendo as figuras, e me sentei um pouco, não muito longe de onde iniciaria a corrida. O número de pessoas começou a aumentar, e percebendo que chegava a hora, me posicionei no meio do povo, em pé, já para aguardar o início da prova. O locutor anunciou a prova feminina, e todos já aguardavam com suas faixas e cartazes posicionados. Quando o alto-falante bradou a largada do pelotão geral, fiquei na ponta dos pés para olhar adiante, mas ninguém se movia do lugar. Minutos se passaram, nem sei quantos, e nada de sairmos. Até que, lá na frente, as pessoas começaram a ensaiar pequenos passos. Já era hora da multidão ao meu redor ter a sua largada. Houve um apupo geral. Primeiro passinhos lentos, depois mais rapidinhos, e quando dei por mim já estava na metade do MASP, e só então disparei o meu cronômetro. Estava tão encantada que sorria para o mundo, numa emoção gigantesca. Muita gente assistindo das calçadas, na ilha da Paulista, e milhares de loucos correndo e festejando.
Perto da Augusta escutei meu nome, e vi pessoas desconhecidas torcendo por mim. Achei que haviam lido no meu número, e fiquei espantada e ao mesmo tempo deslumbrada com essa atitude. Por mais umas duas vezes durante o percurso isso aconteceu, mas horas mais tarde descobri que aquele primeiro episódio tinha sido incentivado pela minha família, que me procurava no meio dos corredores. Apenas meu pai me encontrou, mas todos ao redor deles já sabiam meu nome e gritaram por mim, assim que ele avisou. E eu que pensei que eles estariam lá apenas na hora da chegada.
Um mar de gente dobrou a esquina com a Consolação, e pensei que o afunilamento na Av. Ipiranga geraria alguma confusão. Mas passamos por ali tranquilamente, sem aglomerações, como em todo o restante do percurso. Av. São João, Minhocão. Ao descer do Elevado, já na Barra Funda, uma linda menininha tinha a mão estendida para que os corredores a tocassem, com a anuência de sua mãe, que a segurava no colo. Bati dez e pensei se ela um dia correria como a gente. Mais adiante um morador empunhava sua mangueira, jogando água nos atletas, repetindo a atitude de uma moradora que há anos faz a mesma coisa, tradicionalmente. Eu tinha visto uma reportagem na TV sobre aquela senhora, mas não a vi em nenhuma das três casas cujos moradores jogavam água nos corredores. Em seguida o primeiro viaduto. Na próxima avenida a plaquinha de 8km. Tirei uma foto, já havíamos passado da metade da prova! Na Av. Rio Branco, lá pelo décimo ou décimo primeiro quilômetro, um dedo do meu pé esquerdo começou a doer forte, resultado de uma bela topada na parede da cozinha semanas antes (coisa de amadora), que ainda não tinha sarado totalmente. Aí veio a dor na planta do pé direito, e mais uma pontada na coluna.... Pensei:”Não, não está doendo!... Não está doendo!!!” “Falta apenas o equivalente a um treino curto semanal, daqueles rápidos... Falta pouco!”. E então segui, já esquecida das dores, praticando o domínio da mente sobre o corpo. No final a avenida, uma decidinha pra me dar mais ânimo, e forçar o ritmo pra continuar. Ultrapassei muita gente que caminhava neste momento, passando pelo Largo do Paissandu e Teatro Municipal, até chegar ao Viaduto do Chá. Passei por um pai com jeito de índio andino (boliviano ou peruano?) que tirava a foto do filho pequeno em frente a uma árvore de Natal, e obtive o sorriso da mãe que já pegava seu curumim no colo. Líbero Badaró. Subidinha do Largo São Francisco. Ao fazer a curva gritei um Uhhhh que fez o eco tradicional do centro de São Paulo. Uma descidinha e... puxa!, a Brigadeiro!!! Dois corredores passaram por mim fazendo coro: “Ô, ô, agora só ano que vem!” Como assim?... Eles já consideravam que tinha acabado? Imagina! Estávamos no começo da temida Brigadeiro... Tirei uma foto, e logo que ia guardando o celular ele tocou. Eu tinha 1h48 de prova, e meu marido, que estava em outro estado,  me deu forças dizendo que eu ia conseguir, que ele acreditava em mim. Bem no meio do cruzamento fiz uma oração sem palavras, apenas com o coração. Pedi por todos que eu amo, por todos que me deram força pra estar ali. Apertei o “anel da sorte” no meu polegar e segui. Ainda tirei uma outra foto de um rapaz que corria com um vaso de cerâmica na cabeça, sem saber que causa ele defendia. Quando minha playlist do celular já começava a se repetir, tocando Depeche Mode, apaguei tudo da mente. Conferia apenas o relógio, de tempos em tempos, e corria. A cabeça vazia, o povo caminhando, eu subindo com a técnica tantas vezes treinada. 2h02. Treze de Maio. 2h06. “Tô chegando...” 2h08, já no plano! Faço a curva, já perdendo a concentração por procurar minha família na platéia. Foi quando escutei “Mãããeee!!!”, com aquela vozinha tão familiar, e sorri para a menina linda espremida na cerca do meio-fio que me acenava. Aí perdi totalmente o fio, e desabei a chorar. Já na Paulista, faltando tão pouco, o choro que eu tentei evitar desde o começo veio compulsivo. Lá na frente o tapete vermelho me esperava para o piiii, e eu tentava me controlar para terminar. A consagração. Na frente do número 900 da Avenida Paulista, no mesmo endereço onde eu vi meu nome publicado na lista de aprovados do vestibular, eu terminei a corrida de São Silvestre. Os pés latejavam e eu continuei a caminhar, para não cair. Os apoiadores indicavam o caminho para trocar o chip pela medalha, e caminhei por vários metros, como se flutuasse. Num estacionamento à direita muitos e muitos apoiadores mecanicamente entregavam a medalha ao receber o chip. Pensei como é que aquelas pessoas podiam entregar a medalha assim, sem nenhuma pompa ou solenidade... Mas recebi a minha e honrosamente a beijei. Pendurei no pescoço e peguei o saquinho de lanche, como se recebesse o bife único no bandejão da USP. 
Voltando no sentido da Brigadeiro para encontrar a minha família, degustei a maçã, que ganhou um sabor maravilhoso de vitória. Ao encontrar minha filha, meu pai e minha mãe, o choro veio novamente, junto com muitos abraços e palavras-música em meus ouvidos.
Já em casa, pés no gelo, banho quente e massagem com os dedinhos milagrosos da minha filha. Esperei a meia-noite apenas pela formalidade, pois queria mesmo era dormir. Passei a virada com a medalha no pescoço. Dormi, já em 2010, com ela ao meu lado, feito um anjo da guarda. Um anjo não, mas um santo a me abençoar. O Santo Silvestre."